A Raiz Africana do Omolokô

A desinformação sobre o Omolokô foi e é provocada pela combinação de vários fatores dentre os quais podemos citar:

1) O povo Bantu em geral, do qual faz parte o povo Lunda Kioko,  ponto de partida do culto Omolokô, era particularmente dado ao isolamento e muito mais reservados que os demais negros que aportaram no Brasil. Eles supunham manter desse modo, os segredos de culto intactos, mas na realidade isso acabou por gerar inúmeras distorções, vividas até os dias de hoje.

2) Antigos Sacerdotes do culto foram morrendo e levando consigo boa parte do conhecimento a respeito do Culto.

3)Por causa dos ensinamentos passados oralmente, já que a oralidade restringia-se apenas à memória dos mais confiáveis e graduados. Memória muitas vezes falha, que acabou no esquecimento de muitos dos conhecimentos originais e dos fundamentos do culto.

4) A dificuldade de se levantar arquivos, registros históricos, matérias, artigos, documentos e demais fontes de consulta, desestimulam ao estudo e a redescoberta do culto.

As barreiras atuais para se desvendar o Omolokô, devem-se a raridade de se encontrar artigos publicados que tratem  do assunto, aliada  a total inexistência de novos lançamentos literários exclusivamente voltados à doutrina do culto, para que se possibilite restaurá-lo e ergue-lo ao topo e ao lado das demais religiões co-irmãs afro brasileiras, destacando-o por sua genuína identidade.

O Omolokô é um culto  que tem a sua identidade reconhecida, calçada em seus próprios fundamentos, a fim de derrubar de uma vez por todas o tom, às vezes pejorativo, de leigos, que rotulam o Omolokô como um “Umbandomblé”, ou um “Candomblé de meia feitura”, o que só demonstra o grau de desinformação.

É preciso que sejam resgatadas suas raízes. Para isso partiremos inicialmente de sua base na  África, mais precisamente, o povo Lunda Kiôco, de cuja organização social, história e cultura, idioma nativo, costumes, crenças e rituais religiosos, lendas e superstições, musicalidade e percussão e dos seus conceitos morais foram erguidos os alicerces da Nação Omolokô praticada hoje em dia.

Na antiguidade o povo Kiôco, conquistador por natureza, espalhou-se por diversos pontos da África Central, povoando uma grande extensão de terras, compreendidas desde a região Sudeste até a Nordeste da República Democrática de Angola, ocupando também parte da República Democrática do Congo e de Zâmbia.

Foi em Lunda, uma província dividida em Lunda do Norte e Lunda dos Sul, situada no nordeste de Angola, onde houve a maior concentração desse povo e de onde surgiu o termo Kiôcos de Lunda.

O idioma predominantemente usado pelos Kiôcos de Lunda é o Kimbundu, que influenciou a língua portuguesa falada no Brasil.

A geografia na área ocupada pelos Kiôcos, tanto dispunha de bosques densos e florestas tropicais às margens dos rios Kasai e Kwilu, quanto de planícies de savana e de imensos planaltos gramados desde a parte central angolana até a margem rio Zambezi na Zâmbia ocidental. Nesse “habitat” fartamente banhado pela natureza, cultuavam e louvavam o sagrado.

Os Kiôcos desenvolveram e mantiveram a sua identidade cultural adaptando-se a influências externas.

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