OLUBAJÉ

O Olubajé é uma cerimônia anual feita, em homenagem ao Orixá Xapanã, sendo obrigatória em todas as Casas que o tenham seu Axé, ou que tenham Yawos ou Egbomis deste Orixá.

Olubajé Significa Olú : Aquele Que ; Ba : Aceita ; Je : Comer, é o banquete do Rei da Terra.

A Casa é toda decorada com as cores do Orixá Xapanã, e é a única cerimônia que dispensa o Ipadê.

Ao toque de adjá entoado pelo Babalorixá ou a Yalorixá forma-se uma fila indiana onde filhos da Casa entram com panelas de barro ornamentadas com faixas, nas cores dos Orixás, todas contendo suas comidas, com exceção de Xangô.

A frente entra a Yalorixá ou o Babalorixá, seguidos por uma filha de Oyá carregando uma esteira, uma outra com um pote na cabeça contendo a bebida sagrada das cerimônia chamada de Aluá, outra com um vasilhame de barro cheia de Ewe Lara (folha de mamona), as quais servem de prato.

Segue-se 07 (mínimo) ou 21 pessoas, esses são os números das comidas oferecidas, que trazem vasilhames de barro sobre suas cabeças com as comidas dos Orixás. Todos inclusive a assistência tem que estar descalços durante a cerimônia. Começa então as cantigas do Olubajé que se divide como se segue.

Ao ritmo da Avamunha o cortejo entra com a as comidas com na sequência antes descrita.

Após começa um cântico de ritmo lento começa, marcando o início do banquete, sendo cantado até o final do mesmo.

As esteiras são desenroladas no centro do salão, sobre elas é colocado um tecido branco e imaculado e em seguida pratos a serem servidos. Feito isto a comida começa a ser servida pelos filhos mais velhos, usando as folhas de mamonas como prato.

Todo o resto que sobrar vai para uma bacia, porém antes as folhas que servem de prato devem ser fechadas com os restos de comida não consumidos. São passadas ao longo do corpo e as mãos não devem ser lavadas, elas serão limpas ao serem esfregadas nos braços, pernas ou cabeça para que o Axé se impregne na pele. Lembrar que no Olubajé usa-se as mãos para comer, nunca talheres.

Após todos terem se alimentado começa a retirada do banquete. Todos se ajoelham e um cântico em solo, ouvido de forma melodiosa é respondido pela audiência três vezes. Fora a voz humana, somente o Agogô, marca os intervalos entre cada estrofe, ao final todos batem palmas pausadamente (paó) saudando Xapanã.

A Origem do Olubajé vem de um Itan que conta que Xangô, deu uma grande festa em seu palácio convidando todos os Orixás, menos Xapanã, pois suas características de pobre, doente e com uma estreita ligação com a morte (quizila de Xangô) lhe assustavam.

Durante a cerimônia os outros Orixás perguntaram o motivo da ausência do Rei da Terra, e descobriram que ele não fora convidado. Revoltados deixaram a festa e foram até Xapanã para pedir desculpas.

Xapanã não perdoou aquela ofensa, mas resolveu que daria uma festa em homenagem a todos os Orixás, com exceção de Xangô. Nesta festa não se manifesta Xangô.

Outro Itan conta que o Olubajé surgiu quando os Orixás pediram desculpas por Xapanã de ter sido chacoteado na festividade feita por Xangô, devido a sua maneira de dançar.

Olubajé é ritual específico para Xapanã e tem o sentido de sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes. A folha de mamona, que é venenosa simboliza o Orixá Iku, intimamente ligado o Omulu.

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