ORGANIZAÇÃO DE UM TERREIRO DE NAÇÃO OMOLOKÔ

Este Post trata da Organização Física e Hieráquica de um Terreiro de Omolokô. O que escrevo aqui é o usual, e longe de querer ser o dono da verdade lembro que existem variações de Casa para Casa. No entanto em se tratando de fundamentos nunca devem haver grandes discrepâncias.

Assim sendo um Terreiro de Doutrina de Nação Omolokô se organiza em seu espaço físico de seguinte forma:

– Canjira: Situada no portão de entrada de um Terreiro. É onde encontram-se assentadas firmezas do Exu da Casa. Trata-se da segurança de entrada de um Terreiro e deve ser saudada ao chegar.

– Tronqueira ou Casa dos Exus: É onde encontram-se os assentamentos de Exu do Terreiro. Inclusive de Legbara. Fica, normalmente na frente e à esquerda do Terreiro com sua porta de entrada voltada para a Rua. Deve ser saudada logo após a Canjira.

– Casa das Almas: É onde se encontram os as firmezas dos Pretos-Velhos. Normalmente localizada na frente e à direita de um Terreiro. Dentro dela normalmente encontramos imagens de Preto-Velho e outros materiais que tenham ligação com a Linha.

– O Salão: É onde acontecem às curimbas. Se divide em dois espaços, um para os trabalhos propriamente dito e outro para a assistência. É comum haver uma divisão física (mureta, correntes, cerca, etc) entre os dois locais.

– O Axé: Fica no centro do Salão. Onde são “plantados” ferramentas e fundamentos do Orixá da Casa. É um ponto de descarga e segurança da Casa. É consagrado na inauguração de um Terreiro.

– O Couro: É constituído basicamente pelos três Atabaques, Rum (maior), Rumpi (médio) e Lê (Menor). É de responsabilidade do Ogã Nilú, e executa os toques rituais. Alguns outros instrumentos podem fazer parte do Couro como o Agogô e Caxixi. Algumas Casas também usam o Xequerê, que é uma cabaça revestida por uma rede de  miçangas ou sementes para produzir um chocalho que sustenta os intervalos rítmicos, é também chamado de Agbê, e em algumas raras Casas mais ligadas à Angola também podemos encontrar o balafon e o quissangê.

– Peji ou Congá: Onde se localizam Imagens de Santo católicos (Sincretismo), Imagens Africanas de Orixás, Caboclos, Pretos-Velhos, Erês, e demais Linhas e Povos. Obedece um sistema de organização que trataremos em outra oportunidade.

– Quarto de Santo: Onde se localizam os Assentamento de Orixás e os Igbás Bori dos filhos da Casa. Em algumas Casas, quando há disponibilidade, o assentamento dos Orixá da Casa fica em um quarto separado.

– Camarinha: Onde fica os filhos de santo recolhidos para preceitos.

– Cozinha: É onde são preparadas as comidas de Santo, bem como a comida a ser servida durante os dias de Festa.

Em alguns Terreiros encontramos, na sua entrada, um mastro com uma bandeira branca, onde é realizado na sua base um assentamento para  Kitembo.

A Organização Hierárquica é basicamente a seguinte para a vertente que cultua Orixá (em parênteses os cargos da vertente que cultua Nkises e Bacuros):

– Babalorixá ou Yalorixá (Tatetu ou Mametu): Sacerdote. Autoridade máxima dentro de uma Casa.

– Babakekerê ou Yakekerê (Tatetu ou Mametu Ndenge): Filho de santo com Obrigação de Sete Anos (Egbomi) mas que ainda não recebeu seu Decá.

-Pejigan (Tatá Utala ou Tatá Gongá): Responsável em cuidar do Peji e assentamentos. Normalmente é o Ogã mais velho da Casa.

– Ogã Nilú ou Alagbê (Tatá Muxiki): Responsável pelo Couro

-Axogã (Tata Poko ou Kivonda): Responsável pelos sacrifícios rituais.

– Dagã : Filha de Santo mais velha responsável por despachar às Oferendas de Exu.

– Babalossayn (Tata Kinsaba): Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.

– Yabassê (Mametu Mukamba): Responsável em confeccionar a comida de Santo.

-Yaefun ou Babaefun (Hongolo Matona): Responsável pelas pinturas corporais.

– Ekedis ou Cambonos (Makota): Tem a imcumbência de atender os Orixás ou entidades durante os trabalhos.

– Yawô (Muzenza): Filho de Santo “raspado”.

– Exi de Orixá ou Abiã (Abaô): São os iniciantes que ainda não realizaram seus preceitos.

Alguns Terreiros ainda podem utilizar outras funções específicas como Ayabá Ewe, Ayabá, Yarubá e etc. No entanto o costumeiro são as que mencionei.

Os Trabalhos de um Terreiro de Omolokô se dividem em giras com os “catiços” (termo que eu não gosto, prefiro Guias Espirituais), ou seja espíritos desencarnados que vem trabalhar em auxílio aos encarnados, como os Pretos-Velhos e os Caboclos, por exemplo, e os Xirês, onde são cultuados os Orixás. Ressaltando que as duas coisas acontecem em situações separadas, e não ao mesmo tempo, como pensam algumas pessoas.

 

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