O QUE É SER DE “SANTO”?

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Tenho refletido muito durante o meu caminhar dentro do Culto aos Orixás e hoje eu tenho uma visão do que realmente acontece dentro dos Terreiros por aí a fora, não só dentro da Umbanda, também dentro dos Cultos de Nações, em relação ao comportamento dos Filhos de Santo e da assistência também.
Em relação a assistência em si estou cansado de ver pessoas procurarem Terreiros em busca de uma solução fácil de seus problemas, muitas vezes proporcionados por elas mesmas. Estas pessoas não tem, e não querem ter, a mínima consciência do significado da lei da ação e da reação, ou seja, o que aqui se planta aqui se colhe. Chegam em um Terreiro cheias de razão pedindo, e muitas vezes cobrando, como se os Guias não pudessem ver dentro de suas pobres almas seus defeitos e seus sentimentos mesquinhos. Acham que os verdadeiros Guias se vendem por migalhas de pequenas oferendas. Pobres Almas!
Outros batem no peito, afirmam que são são de Religião de Matriz Africana, e que creêm nos Orixás, que tem fé nos Pretos, Caboclos, Exus e por aí vai. Mas isto basta?
Ser de “Santo” é muito mais que isto, é muito mais do dizer eu acredito, é realmente agir, ser, dedicar sem julgar ao próximo, mas trabalhando para podermos ajudar o Irmão necessitado dentro da Lei do Merecimento.
A cada dez pessoas que entram em um Terreiro, apenas cinco continuam frequentando porque foram atendidas em seus pedidos, as outras cinco que não tinham merecimento acabam desistindo por não serem atendidas. As cinco que ficaram continuam frequentando, mas acabam se cansando e pelo menos três nunca mais voltam.
As duas que ficam normalmente resolvem entrar para a corrente, e após algum tempo depois, percebendo as exigências da Religião apenas uma delas permanece e resolve se dedicar. No entanto destas pessoas nem todas seguirão até terem condições de conduzirem um Terreiro.
Em resumo o “Santo” é para todos, mas nem todos são para o “Santo”, ou seja, falar que é de Religião de Matriz Africana, dizer que tem fé nos Orixás, postar fotos de Pretos Velhos com mensagens em redes sociais, dizer que é caridoso, amigo, bondoso e etc, é fácil, mas entrar em uma casa, dispor de seu tempo, ter paciência com os Irmãos que não tenham o mesmo entendimento, a conversa é outra.
Portanto, me desculpem aqueles que posam de Umbandistas, Candomblecistas e demais Religiões Afro-brasileiras no Facebook e demais redes sociais, mas precisamos de gente que seja e não que diga ser, gente que faça e não que diga pensar em fazer. Ser de “Santo” é um estado da alma, é fé, atitude, filosofia de vida e principalmente ação, não é conversa e intenções.
Assumir ser de “Santo” em nossa sociedade preconceituosa é difícil, muito mais fácil postar mensagem no Facebook. Irmãos não sejam apenas praticantes de Religiões de Matriz Africana apenas na Internet, sejam de verdade, na prática, mostrem suas caras, não se escondam. Caso tenham vergonha do que são lembrem-se existem outras opções de Religiões. Axé

Babalorixá Renato T’Ogun

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