Orànmíyàn

 

Entre os muitos filhos de Odudua, o Rei fundador de Ifé, Ogum era o mais velho, mais forte, mais guerreiro e inteligente de todos. O maior sonho de Ogum era subir ao trono e transformar o povo de sua nação na maior do mundo.

Certo dia, uma desgraça se abateu sobre o Rei Odudua. Ele havia ficado cego e depois de muitas consultas ao babalaô real, foi dito ao Rei, que voltaria a enxergar sim, mas demoraria muito. O Rei Odudua então resolveu que Ogum ficaria regente do trono enquanto aguardava seu restabelecimanto.

Ogum só fazia o que o pai ordenasse, mas um dia reuniu seus ministros e partiu para a guerra sem que Odudua soubesse. Tempos depois voltou vitorioso e trouxe muitos escravos. No meio desses escravos, havia uma bela jovem de cabelos trançados e olhos rasgados de nome Lakanjê, Ogum apaixonou-se por ela, mas não poderia se casar, porque era um príncipe e ela  uma escrava. Então Ogum passou a viver em segredo com Lakanjê.

O tempo foi passando e um certo dia, para a surpresa de todos, a visão do Rei voltou. Com tanta alegria, o Rei deu uma festa e convidou todo o mundo. Lakanjê também foi, mas quando Odudua a viu, ficou apaixonado por ela e casou com a moça, deixando Ogum muito infeliz, pois não podia contar o seu segredo ao pai.

Depois do casamento, Lakanjê teve um filho, mas, para a surpresa de todos, a criança tinha o corpo dividido em duas cores da cabeça aos pés. A parte bem escura, era da cor de Ogum e mulato claro era a cor de Odudua. Por isso Oranian passou a ser considerado filho de dois pais.

Quando Odudua soube, ficou muito zangado. Após algum tempo, Odudua acabou perdoando e anos mais tarde, veio a falecer, deixando seu trono para Ogum.

Essa característica de Oranian é representada todos os anos em Ifé, por ocasião da festa de Olojó, quando o corpo dos servidores do Oòni (Rei de Ifé) é pintado de preto e branco. Eles acompanham Óòni de seu palácio até Òkè Mògún, a colina onde se ergue um monolito consagrado a Ogum. Essa grande pedra é cercada de màrìwò òpè, franjas de palmeiras desfiadas, e, nesse dia, os sacrifícios de cão e galo são aí pendurados. Óòni chega vestido suntuosamente, tendo na cabeça a coroa de Odudua. É uma das raras ocasiões, talvez mesmo a única do ano, em que ele a usa publicamente, fora do palácio.

Chegando diante da pedra de Ogum, ele cruza por um instante sua espada com Osògún, chefe do culto de Ogum em Ifé, em sinal de aliança, apesar do desprazer experimentado por Odudua quando descobriu que não era o único pai de Oranian..Oranian cresceu e tornou-se um belo jovem, forte e inteligente, que adorava caçar, fazer armadilhas e sondar os animais das florestas.

Oranian tinha como seu maior sonho, fundar sua própria nação, ter o próprio povo e seu palácio. Com a ajuda de alguns amigos, começou a conquistar pequenas aldeias…Só que em vez de fazer mal aos vencidos, os tratava bem e conquistou muitos aliados, formando assim o Reino de Oyó.

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