Òsóòsì


Aspectos Gerais

  • DIA: Quinta-feira
  • DATA: 20 de janeiro
  • COR: Azul turquesa ou verde (Umbanda)
  • COMIDAS: Frutas, ewa (feijão fradinho torrado), axoxó (milho cozido com coco)
  • SÍMBOLOS: Ofá (arco), damatá (flecha), erukeré
  • ELEMENTO: Terra(florestas e campos cultiváveis)
  • REGIÃO DA ÁFRICA: Kêtu
  • PEDRAS: Turquesa, água-marinha
  • FOLHAS: Aroeira,peregun (pau-d’água), erva pombinho
    (quebra-pedra), pega-pinto, alecrim-do-campo
  • ODU QUE REGE: Obará e Odi
  • DOMÍNIOS: Caça, agricultura, alimentação e fartura
  • SAUDAÇÃO: Òké Aro!!! Arolé!

Origem e História

Oxóssi (Òsóòsi) é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, Orixá da fartura e da riqueza. Atualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido na África, mas é bastante difundido no Brasil, em Cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso se deve ao fato de a cidade de Kêtu, da qual era considerado rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e seus habitantes, muitos consagrados a Oxóssi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Esse fato possibilitou o renascimento de Kêtu, não como estado, mas como importante Nação religiosa do Candomblé brasileiro.

Oxóssi é o rei de Kêtu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu, Rei, Senhor de Kêtu, e Oníìlé, o dono da Terra, pois na África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros habitantes. É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor da humanidade, que garante a fartura para seus descendentes.
Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por mecanismos que lhe possibilitem se sobressair no espaço da natureza e impor sua marca no mundo desconhecido.

A coleta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, são os domínios de Oxóssi, Orixá que representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência. Oxóssi é o Orixá da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para alimentar a tribo. Mais do que isso, Oxóssi representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza.

Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Oxóssi, pois, como revela a sua história, esse caçador possui uma única flecha, portanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi é o melhor naquilo que faz, está permanentemente em busca da perfeição.

Na África, os caçadores que geralmente são os únicos na aldeia que possuem as armas, têm a função de salvar a tribo, são chamados de Oxô, que significa guardião. Oxóssi também foi um Òsó, mas foi um guardião especial, pois salvou seu povo do terrível pássaro das Iyá-Mi.

Outras histórias relacionadas a Oxóssi o apontam como irmão de Ogum. Juntos, eles dominaram a floresta e levaram o homem à evolução. Além de irmão, Oxóssi é grande amigo de Ogum, dizem até que seria seu filho, e onde está Ogum deve estar Oxóssi, suas forças se completam e, unidas, são ainda mais imbatíveis.

Oxóssi mantém estreita ligação com Ossaim (Òsanyìn), com quem aprendeu o segredo das folhas e os mistérios da floresta, tornou-se um grande feiticeiro e senhor de todas as folhas, mas teve que se sujeitar aos encantamentos de Ossaim.

A história mostra Oxóssi como filho de Iemanjá, mas a sua verdadeira mãe, segundo o mais antigos, é Apaoká a jaqueira, que vem a ser uma das Iyá-Mi, por isso a intimidade de Oxóssi com essa árvore.

A rebeldia de Oxóssi é algo latente em sua história. Foi desobedecendo às interdições que Oxóssi tornou-se orixá.

A exemplo de Xangô, Oxóssi é um orixá avesso à morte, porque é expressão da vida. A Oxóssi não importa o quanto se viva, desde que se viva intensamente. O frio de Ikú (a morte) não passa perto de Oxóssi, pois ele não acredita na morte.

Odé não chega perto da morte
Ele se assenta em terras estranhas
Odé me olha e me dá medo.

ORIKI:

 Oríkì fún Ògún

Ìba Òsòósi

Ìba Òsòósi

Ìba ologarare

Ìba onibebe

Ìba osolikere

Ode ata matase

Agbani nijo to buru

Oni Ode gan fidja

Mojùbá

Àse

Tradução

Oriki de Oxóssi

Elogio o Espírito do Caçador

Elogio o Espírito do Caçador

Elogio o quem tem domínio de mesmo

Elogio o dono da margem do rio

Elogio o mágico da floresta

Caçador que nunca falhou

Espírito sábio que abençoa

Dono do papagaio que o guia para conquistar o medo

Eu o cumprimento

Axé

QUALIDADES:

YBUALAMO – É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. É o verdadeiro pai de Logun Edé. Apaixonado por Oxum e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor.
Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com Omolu. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.

INLE – É o filho querido de Oxoguian e Yemonja. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com plumas brancas e azuis claro. É tão amado que Oxoguian usa em suas contas um azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamento com Ogunjá.

DANADANA – Tem fundamento com Exu, Ossain, Oxumará e Oya. É ele o Òrixá que entra na mata da morte e sai sem temer Egun e a própria morte. Veste azul claro.

AKUERAN – Tem fundamento com Oxumaré e Ossain. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tiram-se as penas e se solta o bicho.

OTYN – Guerreiro e muito parecido com seu irmão Ogun, vive na companhia dele, caçando e lutando. É muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente este sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, conta azul, leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. Tem que se dar comida a Ogun.

MUTALAMBO – Tem fundamento com Exu.

GONGOBILA – É um Oxóssi jovem. Tem fundamento com Oxalá e Oxum.

KOIFÉ– Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com Ossain e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se Koifé e faz-se Ygbo,Ynlé ou Oxum Karé; trinta dias após, faz-se toda a matança.

AROLÉ – Propicia a caça abundante. É um dos mais belos tipos de Oxóssi. Um verdadeiro rei de Ketu. As pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com Ogun e Oxum. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.

KARE – É ligado as águas e a Oxum, porém os dois não se dão bem, pois, exercem as mesmas forças e funções. Come com Oxum e Oxalá. Usa azul e um Banté dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.

WAWA – Vem da origem dos Òrixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com Oxalá e Xangô, pois, dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se ele e faz-se Ayrá ou Oxum Karé.

WALÈ – É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado, diretamente, a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. Come com Exu e Ogun.

OSEEWE ou YGBO – É o senhor da floresta, ligado as folhas e a Ossain, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tapando o seu rosto.

ERINLÉ – É também um outro Oxóssi, que, a exemplo de Inlè, cujo culto também caiu no obscurantismo, acabando por tornar-se “qualidade de Oxóssi”.

TOKUERÁN – O caçador é quem mata a caça, diz-se da atuação do caçador, Odé da carne.

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